Cumplicidade e respeito ajudam a fortalecer o amor, dizem casais

A ferida que dói e não se sente. O não querer mais que bem querer. O nunca contentar-se de contente. Ah, o amor! O fogo que arde sem se ver, o não contentar-se de contente, a dor que desatina sem doer.
Exaltado nas palavras de Luís Vaz de Camões, manifesta-se em diferentes ocasiões e de maneiras diversas. Tem o amor de mãe, o amor de pai, o amor dos filhos, o amor dos irmãos, o amor entre amigos e o amor romântico.
Muito além dos poemas e das canções, mais consistente do que as tramas de novela ou a expressão em telas de pinturas. O amor real é aquele que supera as dificuldades do dia a dia e se mantém vivo, mesmo com altos e baixos.
Essa é a definição feita por Pedro Ribeiro Soares, 70 anos, casado com Terezinha Rodrigues Soares, 74 anos. Juntos, há 46 anos, eles têm seis filhos e dez netos. O segredo para o relacionamento duradouro? “Confiança, paciência, diálogo”.
Na opinião de seo Pedro, outro fator é fundamental para que o amor se sustente: companheirismo. Ele contou que dona Terezinha sempre o apoiou e permaneceu com ele nos momentos mais delicados, por exemplo, quando sofreu paradas cardíacas.
Os problemas financeiros que muitas vezes precisaram enfrentar também foram vencidos graças à parceria que estabeleceram ao longo da vida. “Passamos por muitos apuros para criar os filhos, mas estivemos sempre juntos. Isso fortalece o amor”.
A história de vida desse casal pode servir de inspiração para muitas pessoas, especialmente nesta data em que se comemora o Dia dos Namorados. Os dois demonstram o afeto que têm um pelo outro com sorrisos, olhares e palavras de carinho. “O amor cresce cada vez mais”, garantiu o marido.
Em um livro bíblico, a mensagem é de força e perenidade. “Nem muitas águas conseguem apagar o amor; os rios não conseguem levá-lo na correnteza”. Na vida de Pedro e Terezinha, as crenças religiosas também sustentam o sentimento. “Temos muita fé em Deus”.
E se o amor é forte como a morte, conforme está descrito na Bíblia, também é motivo para celebrar a vida. No caso de Israel de Moraes, 23 anos, e Camila Silvestre Monteiro da Silva, 21 anos, a definição do que sentem passa por companheirismo, parceria, troca de experiências e afetividade.
Os estudantes estão juntos há um ano e nove meses. Conheceram-se na faculdade, e levou três meses até que ele tomasse a iniciativa e fizesse a proposta de namoro. O pedido foi inesperado. Camila chegou a se assustar, e Israel precisou repetir algumas vezes. Assim que percebeu que ele falava sério, Camila disse “sim”.
De lá para cá, viajaram juntos. Uma dessas ocasiões foi o show da banda Selvagens à Procura de Lei, em São Paulo, em maio de 2015. Relembrar a experiência garantiu sorrisos para ambos. “Foi uma viagem marcante”, afirmou a namorada. Agora, eles planejam ver outra banda de que gostam: Guns N’ Roses.
Sobre o futuro, querem terminar a faculdade para, então, pensar na maneira correta de levar o amor adiante. Por enquanto, defendem que não existe uma receita pronta para fazer com que o relacionamento a dois dê certo. A dica do namorado é: “Quando o sentimento aflora, vale a pena tentar”.
Sobre este Dia dos Namorados, Israel e Camila garantiram que trocarão presentes. Os dois gostam de ser originais quando pensam no que dar um para o outro. Uma vez, ele preparou uma caça ao tesouro por Paranavaí. E lá foi ela em busca do presente, encontrando pistas em lugares importantes para ambos.
Assim querem continuar por quanto tempo for possível. Surpreendendo-se mutuamente. Amando, compartilhando, vivendo as felicidades e tristezas. Sempre juntos. E aceitando que há “defeitos e qualidades, mas precisamos aprender a lidar”, disse ele. Afinal, “leva tempo, porque são duas vidas diferentes”, completou ela.