Moradores de Piracema trabalham para deixar a casa em ordem após temporal
#IMG02O cenário é desolador. Em todos os lados há rastros do temporal que passou pelo Distrito de Piracema na noite da última segunda-feira. Telhas (até mesmo as de barro) e vidros quebrados, carros danificados, folhas, galhos e muito barro pelas ruas. A chuva de granizo e o vento forte não duraram muito – um ou dois minutos, contaram os moradores. Mas foi tempo suficiente para causar estragos incalculáveis.
Ontem à tarde, filhos, vizinhos e amigos de dona Luzia Leandro Alves trabalhavam para tentar substituir o telhado de fibrocimento, (tipo eternit). A casa dela estava tomada pela água. Todos os cômodos molhados. Sofás, colchões, armários da cozinha, guarda-roupas. Dona Luzia não conseguiu salvar nenhum móvel. “Tudo já está empenando”, lamentou.
O semblante de dona Luzia deixava transparecer a tristeza. A sensação de não ter o que fazer para salvar a própria casa também deixou marcas. “É difícil ver as coisas desse jeito. É muito triste”.
#IMG03Mas ela não foi a única. Casa após casa, os prejuízos ficaram evidentes. “Se [o temporal] durasse mais, não sobrava nada”, calculou dona Maria da Silva. Na tarde de ontem, ela, o marido e os filhos tentavam amenizar a situação. A limpeza parecia interminável, como se a água brotasse de vários cantos da casa. Mas o trabalho não podia parar: “Agora temos que correr atrás para recuperar o que perdemos”, disse dona Maria.
Na casa de Elpídio Alves o estrago também foi grande. Os móveis amontoados em um cômodo, a água espalhada por todos eles. “A chuva de pedra arrebentou tudo. Vou fazer o quê?” Morador do Distrito de Piracema há mais de 50 anos, seo Elpídio nunca tinha visto destruição tão grande. “Já passei por temporal, mas não com essa intensidade”.
“Parecia que o mundo estava acabando”, contou Rosângela Alves Dias. “Nunca vi nada igual”. Quando percebeu a ventania e a chuva de granizo, só teve tempo para fechar as janelas e “rezar para que acabasse”. E acabou, mas a moradora precisou passar a noite em claro para enxugar a casa, que na tarde de ontem ainda estava molhada. “Estou trabalhando e torcendo para secar logo”.
